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CZ+JP+UM
Granular na arthobler/lerdevagar
22:30

09 de Julho
Cacus
Carlos Zíngaro
violino
José Peixoto
guitarra
Ulrich Mitzlaff violoncelo

O nome Cacus vem do disco de improvisações partilhado por José Peixoto e Carlos "Zíngaro", mas também designa este trio em que aos dois veteranos se junta Ulrich Mitzlaff. O território de acção continua a ser o improvisacional, mas dificilmente este projecto poderá ser considerado como de "música improvisada" – este rótulo identifica, regra geral, práticas que estão para lá dos idiomas musicais estabelecidos e que se definem mesmo pelo seu não-idiomatismo.
No caso presente, os idiomas permanecem, mesclados numa amálgama em que é possível reconhecer referências eruditas (todos estes três músicos têm formação clássica), étnicas (sobretudo as do Norte de África, do Médio Oriente, do Sul da Península Ibérica, presentes na própria forma como Peixoto utiliza a guitarra,
lembrando o oud árabe), do jazz (Peixoto e "Zíngaro" estão associados no grupo El Fad, tendo ambos um historial nesta área que remonta aos anos 1980 no caso do primeiro e à década de 70 no do segundo) e do rock (designadamente o progressivo, uma influência composicional de Peixoto, sendo também de lembrar o período psicadélico dos Plexus de "Zíngaro" e a passagem de Mitzlaff pelo universo de Frank Zappa). Não que seja importante identificar o que é o quê nas criações espontâneas
destes três grandes nomes da música criativa que se faz em Portugal, até porque têm todos a habilidade de aproveitar as linguagens dos vários géneros dispensando os seus aspectos formais. O que realmente importa é a música em si mesma, e esta é de primeiríssima qualidade.
Galeria arthobler/lerdevagar (Lx Factory, Alcântara) às 22:30.

trama3
Granular apresenta trama³


26 de Junho 21h30
Sala de exposições da Moagem, Fundão
2 de Julho
22h00
Auditório do Estúdio PerFormas, Aveiro

Um projecto de João Martins, com Gustavo Costa e Henrique Fernandes
Encomenda do Município do Fundão em Co-Produção com a Granular

Neste projecto, um tear artesanal transforma-se num hiper-instrumento musical, com diversos registos tímbricos em configurações interligadas que permitem aos 3 músicos abordá-lo ora como um instrumento único, ora como um ensemble quase orquestral. Sobre a estrutura do tear, em intervenções que procuram compreender o seu funcionamento primário, enquanto exploram um vasto conjunto de possibilidades sónicas— sugeridas, na sua maior parte, pela observação de teares nos seus contextos originais—, fixam-se cordas, molas, caixas e vários objectos comuns, distribuindo pelas várias "faces visitáveis" da máquina, modos de produção de som interligados.
E, do mesmo modo que a concepção e construção do próprio instrumento procura compreender e valorizar os aspectos funcionais pré-existentes, a concepção global do projecto procura estabelecer pontes tangíveis entre os modos e os conteúdos da nova produção musical e as técnicas artesanais, as pessoas e os locais que compõem a memória do objecto. Gestos da tecelagem e das actividades relacionadas são recuperados como gestos de produção sonora no novo instrumento; recolhas de sons quer dos teares, quer das paisagens sonoras em que os descobrimos integram, como texturas e como motivos, o reportório concebido. Estes teares— os seus "corpos", o seu universo e identidade particular— são por isso, física e conceptualmente, o material de base para mais dois músicos— cúmplices de longa data—,
artesãos, inventores e construtores de instrumentos que interpretam com as suas próprias ferramentas o desafio original. Uma intrincada teia que cruza Música e Arte Sonora, aborda várias definições possíveis de instrumento musical e estende uma ponte audível, atenta e crítica entre práticas artísticas e práticas artesanais, enquanto reconhece o valor primordial das paisagens naturais e humanas genuínas.

Curadoria: Carlos Zíngaro e Rui Eduardo Paes / Granular. Produção executiva e acolhimento: A Moagem, Cidade do Engenho e das Artes.
Co-produção: Câmara Municipal do Fundão e Granular Associação

AM+TRAV+NT
Granular na arthobler/lerdevagar
22:30

25 de Junho
Abdul Moimeme guitarras eléctricas preparadas
Travassos
electrónica, objectos amplificados
Nuno Torres saxofone alto

Munido de duas guitarras dispostas na horizontal e de uma multiplicidade de objectos que coloca directamente sobre as cordas, Abdul Moimême constrói uma imensa variedade de texturas que nos obrigam a apurar o ouvido, de forma a podermos percepcionar os elementos mais subtis. Manipulando gravadores portáteis de cassetes, agindo sobre circuitos integrados ou colocando microfones de contacto em taças ou cordas, Travassos age como um inventor no seu laboratório. Com o saxofone tocado como se se tratasse de um sintetizador acústico, Nuno Torres não só ultrapassa o tom como a própria noção de escala, trocando a articulação de frases por uma produção controlada de ruído não branco, mas às cores. Juntos, funcionam como se observássemos Marte com um microscópio. Galeria arthobler/lerdevagar (Lx Factory, Alcântara) às 22:30.

EK+MLP
Granular na arthobler/lerdevagar
22:30

04 de Junho
Etsuko Kimura spoken word
Miguel Leiria Pereira
contrabaixo, electrónica

Radicada em Lisboa depois de ter vivido em Nova Iorque e Paris, a poli-artista japonesa Etsuko Kimura tem dividido a sua actividade entre a fotografia e a música experimental, com utilização da voz e da electrónica. O duo que mantém com o contrabaixista Miguel Leiria Pereira incide sobre as relações possíveis da linguagem com o som - as estórias que improvisa em Japonês prezam não o sentido das palavras, incompreensível para o público português, mas a fonética. É recorrendo à improvisação, também, que Leiria Pereira interage com os sons vocais desta cidadã do mundo, construindo paisagens sonoras de grande efeito cinematográfico. Para o igualmente membro dos El Fad de José Peixoto, o computador serve para ampliar as capacidades do contrabaixo, conduzindo-o a situações performativas que geralmente não lhe estão associadas. Galeria arthobler/lerdevagar (Lx Factory, Alcântara) às 22:30.

emidio_buchinho
Granular na arthobler/lerdevagar
22:30

28 de Maio
Emídio Buchinho guitarra eléctrica, devices e electrónica

Um dos mais conceituados “designers” e técnicos sonoros do cinema português, Emídio Buchinho desenvolve a sua actividade musical entre a exploração concretista das potencialidades da guitarra eléctrica e o recurso a dispositivos electrónicos da mais variada índole, do simples microfone ao computador, passando pelos velhos gravadores analógicos e por processadores de efeitos. Com a música livremente improvisada e a composição para vídeo e para filme como áreas de acção privilegiada, vem construindo um percurso em que se destacaram colaborações com Carlos “Zíngaro”, Otomo Yoshihide, Gunter Muller, Nuno Rebelo, Carlos Santos, Matt Wand, Mick Beck, Ricardo Guerreiro, Rudiger Carl, Ben Rubin, António Chaparreiro, Vitor Joaquim, José Oliveira, João Silva e Travassos, entre outros. É, no entanto, de forma solitária que mais profundamente vem experimentando os limites do seu instrumento principal, tal como ouvimos no álbum “Toltech”. Se as raízes tem-nas enterradas nos blues do Delta e Robert Fripp é a sua mais detectável referência, o trabalho que desenvolve aponta para o futuro. Galeria arthobler/lerdevagar (Lx Factory, Alcântara) às 22:30.

 
 
 
   

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